Portugal na vanguarda do desenvolvimento dos têxteis técnicos

A Indústria Têxtil e de Vestuário é uma das mais importantes indústrias para a economia portuguesa, representando 10% do total das exportações nacionais; 20% do emprego da Indústria Transformadora e 9% do volume de negócios da Indústria Transformadora. 

Segundo os dados do INE (tratados pela ATP), o volume de negócios de têxteis e vestuário, em 2017, registou um crescimento superior a 2%, face a 2016, tendo alcançado 7500 milhões euros. 

As exportações de têxteis e vestuário passaram de 5035 milhões de euros em 2016 para 5.237 milhões em 2017. Os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados e artigos para usos técnicos de matérias têxteis, com um aumento nas exportações de 16,9%, equivalente a um acréscimo absoluto de 36 milhões de euros.

E é precisamente este segmento – têxteis técnicos (inteligentes)  – que apresenta um enorme potencial de crescimento e onde as empresas apostam através dos instrumentos do COMPETE 2020.

Este segmento que exige grande incorporação de tecnologia, está presente sobretudo na indústria automóvel, no desporto e na proteção individual.

A indústria têxtil e vestuário portuguesa é um cluster dinâmico, onde se podem encontrar empresas de todos os subsetores da fileira – fiações, tecelagens, acabamentos, malhas, confeção, têxteis-lar e têxteis técnicos - que funcionam de forma complementar e sinérgica, apoiadas por um desenvolvido sistema científico e tecnológico, no qual se destacam o Centro Tecnológico da Indústria Têxtil e Vestuário (CITEVE) e o Centro de Nanotecnologia e Materiais Avançados (CENTI).

Os materiais utilizados na produção dos têxteis técnicos dependem das aplicações específicas e do desempenho necessário, sendo normalmente utilizadas fibras de elevado desempenho. Os mais recentes avanços científicos e tecnológicos, como, por exemplo, na química de polímeros ou na tecnologia de fibras, abriram aos materiais têxteis um vasto campo de novas aplicações em sectores onde as propriedades e a performance se sobrepõem às valências estéticas. 

Através da tecnologia têxtil é possível combinar diferentes características num só produto tais como flexibilidade ou rigidez, baixo peso e resistência. É possível projectar e desenvolver fibras ou tecidos extremamente resistentes com excelente caimento e flexibilidade. De facto, a resistência de alguns materiais têxteis é mais elevada do que a do aço ou outro tipo de metal. Outra importante característica dos materiais têxteis técnicos é a porosidade que pode ser controlada através da estrutura têxtil, bem como pelo revestimento e pelo laminado. A porosidade dos materiais têxteis pode variar desde zero (estrutura completamente fechada) até uma grande percentagem de zonas abertas (rede). Os materiais têxteis para protecção e segurança pessoal, bem como os materiais utilizados para a protecção contra qualquer tipo de risco, apresentam um enorme potencial de crescimento no futuro. Com o avanço e sofisticação das tecnologias não têxteis, outras indústrias irão procurar soluções nos têxteis técnicos para resolver os seus problemas específicos.

Esta semana apresentamos-lhe 4 projetos “made in Portugal” desenvolvidos por empresas, que mostram como a aposta na diferenciação do produto coloca Portugal na linha da frente dos têxteis técnicos inteligentes.

 

  • MultiscaleProtech

Porque a vida não tem preço e o vestuário pode ser a nossa proteção, a empresa A Penteadora, aposta no desenvolvimento de fios e tecidos  de elevado desempenho contra agentes químicos, térmicos e elétricos,com recurso à nanotecnologia, para utilização em vestuário orientado principalmente para aplicações nos domínios da proteção contra salpicos a elevada temperatura (soldadura) e exposição a agentes químicos e a descargas elétricas.

 

  • RiopeleTech - Fabrics4Future

O Projeto RiopeleTech - Fabrics4Future prevê aumentar a gama de tecidos da Riopele através da industrialização e introdução no mercado de novos tecidos funcionais e sustentáveis, inovadores e de alto valor acrescentado, que resultam de projetos de I&D realizados pela empresa. Um projeto transversal à produção que vai aumentar a quota de mercado da Riopele em novos nichos de mercado e apostar fortemente na economia circular. Um não ao consumo de têxteis rápido e não sustentável e o incremento da produção de produtos sustentáveis . Reutilizar e incorporar.

 

  • PICASSo

Conversámos com Pedro Magalhães, Diretor de Inovação da Tintex, provavelmente a mais premiada das têxteis portuguesas com vários projetos cofinanciados pelo COMPETE 2020. Um deles é o PICASSo que visou criar uma nova palete de cores através de corantes naturais, extraídos de plantas e cogumelos. 

Para responder à necessidade da indústria têxtil, no que respeita à obtenção de compostos base natural (com potencial de coloração e antimicrobianos) para a produção de têxteis com impacto reduzido no ambiente e na saúde humana, foi criado um consórcio com complementaridade de valências constituído por empresas com experiência no setor têxtil (TINTEX) e no fornecimento de plantas (ERVITAL) e cogumelos (BIOINVITRO) e por entidades do sistema I&I (CeNTI e CITEVE), que são os dinamizadores das tarefas de I&D.

 

  •  iHEATEX

E se fosse possível a sua toalha de banho estar sempre quente e seca ? O projeto iHeatex visa o desenvolvimento de uma nova estrutura de felpo multifuncional e de hibridização inteligente, com propriedades de gestão ativa de humidade e aquecimento.Para garantir o sucesso do projeto, foi definido um consórcio multidisciplinar liderado pela empresa J.F. Almeida, o CITEVE CITEVE - Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, o CeNTI - Centre for Nanotechnology and Smart Materials.

24/01/2019 , Por Paula Ascenção