Tornar o SARS-CoV-2 inviável

STOP SARS-CoV-2: Strategic Thin-films Opposed to Pandemia   

1. Síntese

A proteção necessária à não expansão da atual pandemia passa não só pela proteção direta das pessoas, mas também dos espaços comuns, em particular zonas sensíveis das quais são de destacar as relacionadas com o setor da saúde, dos transportes, ensino, ou seja, espaços confinados, onde as pessoas se encontram, por diversos motivos restringidas por períodos superiores a uma hora.

Neste contexto, o projeto STOP SARS-CoV-2 tem dois objetivos com o fim enunciado – garantir que o vírus fique retido nos filtros e que simultaneamente seja desativado, no mais curto espaço de tempo.
 
Filtros submicrométricos e nanométricos serão sujeitos à modificação da sua superfície, pela presença de um filme fino, ou seja, de “um novo filtro”, com dimensão de poros nanométrica, inferior à dimensão média do vírus, constituído total ou parcialmente por um material virucida eficaz.
Estes novos filtros são realizados por recurso à pulverização catódica, onde um dos parceiros do projeto (TEandM) é uma empresa nacional de reconhecido prestígio internacional no fabrico comercial de filmes finos. 
 
O projeto visa o desenvolvimento de “novos filtros” de grande eficácia virucida e resulta de I&D sobre filtragem de nanopartículas presentes em espaços interiores. O objetivo é fabricar filtros comerciáveis capazes de contribuir para a diminuição significativa de contágio em espaços fechados. Os novos filtros podem também serem utilizados, num futuro próximo, noutros contextos, como a proteção à inalação de nanopartículas, em ambientes industriais. 
 
2. Entrevista 
 
Falámos com Teresa Vieira, Professora do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra e responsável por este projeto de I&D. 
 
Teresa Vieira - Responsável pelo "STOP SARS-CoV-2"
 
2.1. Qual o ponto de situação do projeto?
 
Atualmente, o projeto encontra-se numa fase de validação em ambiente laboratorial dos filtros produzidos, os quais foram otimizados para permitir evidenciar a eficácia destas novas superfícies na desativação do vírus. Esta atividade envolveu a utilização de um filtro com porosidade reduzida (submicrométrica) em cuja superfície foi depositada uma camada (filme fino) com poros abertos de dimensão nanométrica. Assim, o filtro pode continuar a induzir as características de filtragem necessárias a uma ventilação eficaz com retenção de partículas similares às do vírus (fagos). A transferência da tecnologia de fabrico de filtros foi já realizada e já está em curso a prova de conceito. O projeto prevê ainda atividades de disseminação e divulgação dos resultados através de artigos em publicações nacionais e internacionais e de uma patente.
 
2.2. De entre os resultados alcançados, há algum que gostaria de destacar?
 
Na figura 1 pode ser analisada a diferença entre filtros comerciais com revestimentos e filtros micrométricos.
 
 
Figura 1 – Filtro nanométrico revestido (imagem superior. – laboratório; imagem inferior. – industrial TEandM)
 
Os testes preliminares efetuados demonstram a capacidade de retenção na superfície, cujo material virucida deverá ser eficaz originando a sua desativação em 9 segundos. 
 
Na Tabela 1 estão indicados os valores associados à capacidade de filtração das membranas testadas, com e sem revestimento.
 
 
2.3. Qual a mais valia do apoio do COMPETE 2020?
 
O apoio do COMPETE 2020 reveste-se de extrema importância, desde logo por permitir o suporte à realização das atividades de I&D e ensaios previstos, promovendo a articulação entre as empresas e as entidades do sistema de investigação e inovação, em particular numa tipologia de projeto de I&D cujas condições específicas, decorrentes do atual contexto pandémico, obrigam à execução de um projeto com este âmbito num espaço de tempo considerado bastante reduzido para os objetivos propostos.
 

3. Cofinanciamento 

Apoiado pelo COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Incentivos à I&DT, no âmbito do Aviso 15/SI/2020, o projeto STOP SARS-CoV-2 envolveu um investimento elegível de 212 mil euros, correspondendo a um incentivo FEDER de cerca de 182 mil euros.

 

4. Links

CTCV - Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro

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13/01/2021 , Por Cátia Silva Pinto
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